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Beber água das fontes é arriscado para a saúde. O alerta vem da DECO/PRO TESTE, que analisou a água de 41 fontes e verificou que quase metade estava contaminada.
Na sua edição de Agosto, a revista dos consumidores TESTE SAÚDE revela que 18 fontes fornecem água imprópria para consumo. Esta água continha bactérias, chumbo e/ou nitratos em quantidades superiores às permitidas por lei. Noutras 3 fontes, a água apresentava higiene deficiente, pelo que aquela associação de consumidores também não recomenda a sua ingestão.As bactérias detectadas podem originar gastroenterites mais ou menos intensas, consoante o grau de contaminação e a quantidade de água ingerida. Em geral, estas manifestam-se por febre, diarreia e vómitos. O chumbo e os nitratos, embora não causem problemas imediatos, vão-se acumulando no organismo, podendo prejudicar a saúde. Segundo a TESTE SAÚDE, a contaminação da água pode ocorrer na nascente ou no percurso entre esta e a fonte. As substâncias de origem agrícola (por exemplo, nitratos) presentes nos solos, os esgotos e os detritos em decomposição são algumas das causas apontadas. Os materiais utilizados nas condutas por onde passa a água, como o chumbo, podem também degradar a sua qualidade. A equipa da TESTE SAÚDE contactou, ainda, as câmaras municipais dos concelhos onde se situam as fontes analisadas. Em 15 casos, estas admitiram não efectuar análises para verificar a qualidade da água. Quanto às fontes que as câmaras dizem vigiar, 7 forneciam água imprópria para consumo no momento em que a DECO/PRO TESTE recolheu as amostras para análise. Nalguns casos, a informação fornecida pelas câmaras demonstra que estas dispõem dos mesmos resultados. Mas, nas fontes, não havia nenhum aviso a este respeito, pelo que quem vai à fonte pensará que pode beber a água sem problemas. Face aos preocupantes resultados detectados, a DECO/PRO TESTE deu a conhecer a situação às câmaras municipais dos locais onde se situam as fontes, aos Ministérios da Saúde, do Ambiente e Ordenamento do Território e das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento, bem como ao Instituto Regulador de Águas e Resíduos, exigindo que tomem medidas urgentes. Primeiro, é indispensável garantir água da rede pública de qualidade a toda a população. Nos casos em que tal ainda não acontece, é imprescindível que as câmaras municipais e as juntas de freguesia monitorizem e tratem a água das fontes. Os resultados das análises deverão ser sempre afixados nas fontes e em tempo útil. Se todos os munícipes tiverem acesso a água da rede pública de boa qualidade, é mais compreensível, no entender da associação de consumidores, que as câmaras não invistam nas fontes. No entanto, é indispensável que coloquem, em todas, um aviso a indicar se a água é ou não vigiada e se pode ou não ser bebida. Aos consumidores, diz a TESTE SAÚDE, “apenas podemos recomendar que não bebam água das fontes”. É preferível optar pela água da rede pública, que é mais controlada e os testes realizados pela DECO/PRO TESTE apenas têm revelado problemas pontuais. Se não tiver água da rede pública ou não confiar na sua qualidade, a solução será a água engarrafada. |